quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Um dia pensando em Clarice Lispector

Às vezes, gosto de revisitar algo da Literatura; da Arte... às vezes, penso que meu caminho deva ser retomado; ando por linhas tortas. Há tempos não escrevo. Hoje, porém, resolvi visitar Clarice. Tentar, com ela, traduzir um pouco dos meus pensamentos.


Escritora, sim; intelectual, não.

“Outra coisa que não parece ser entendida pelos outros é quando me chamam de intelectual e eu digo que não sou. De novo, não se trata de modéstia e sim de uma realidade que nem de longe me fere. Ser intelectual é usar sobretudo a inteligência, o que eu não faço: uso é a intuição, o instinto. Ser intelectual é também ter cultura, e eu sou tão má leitora que agora já sem pudor, digo que não tenho mesmo cultura. Nem sequer li as obras importantes da humanidade.
[...] Literata também não sou porque não tornei o fato de escrever livros ‘uma profissão’, nem uma ‘carreira’. Escrevi-os só quando espontaneamente me vieram, e só quando eu realmente quis. Sou uma amadora?
O que sou então? Sou uma pessoa que tem um coração que por vezes percebe, sou uma pessoa que pretendeu pôr em palavras um mundo ininteligível e um mundo impalpável. Sobretudo uma pessoa cujo coração bate de alegria levíssima quando consegue em uma frase dizer alguma coisa sobre a vida humana ou animal.”




Fonte desta citação e desta imagem: Clarice Lispector






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