quarta-feira, 23 de novembro de 2011

E mais uma vez... o metal contra as nuvens...



[...]

III

É a verdade o que assombra
O descaso que condena,
A estupidez, o que destrói
Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais

Tenho os sentidos já dormentes,
O corpo quer, a alma entende.
Esta é a terra-de-ninguém
Sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos.

Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.

Não me entrego sem lutar
Tenho, ainda, coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então.

[...]

 Tem vezes que os dias ficam densos aos poucos. Quando os pensamentos se confundem. Quando existe uma necessidade real de sair de onde se está e não conseguimos; não podemos.

medo |ê|
(latim metus, -us)
s. m.
s. m.
1. Estado emocional resultante da consciência de perigo ou de ameaça, reais, hipotéticos ou imaginários. = FOBIA, PAVOR, TERROR
2. Ausência de coragem (ex.: medo de atravessar a ponte). = RECEIO, TEMOR ≠ DESTEMOR, INTREPIDEZ
3. Preocupação com determinado fato ou com determinada possibilidade (ex.: tenho medo de me atrasar). = APREENSÃO, RECEIO
4. [Popular] [Popular] Alma do outro mundo. = FANTASMA


tristeza |ê|
s. f.
s. f.
1. Qualidade ou estado do que é triste.
2. Mágoa.
3. Aflição.
4. Pena.
5. Angústia.
6. Inquietação.
7. Melancolia.

Um pouco disso. Tudo junto.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Emilia Ferreiro: ''O momento atual é interessante porque põe a escola em crise''

Segundo Emilia Ferreiro, as mudanças tecnológicas e sociais trouxeram maiores exigências ao trabalho de alfabetização

EMÍLIA FERREIRO  "As primeiras
tentativas já não são vistas como
rabiscos, mas uma espécie de escrita"



Leia abaixo a entrevista concedida pela psicolinguista argentina Emilia Ferreiro a NOVA ESCOLA em outubro de 2006. Emilia esteve em São Paulo para participar da 1ª Semana Victor Civita de Educação.

Aqui ela avalia as mudanças ocorridas nas práticas de leitura e escrita nas últimas décadas, como consequência sobretudo das inovações tecnológicas no campo da informática.

Como se alteraram as concepções de alfabetização nestes quase 30 anos desde que foi publicado seu livro Psicogênese da Língua Escrita?
EMILIA FERREIRO Mudou a concepção social do alfabetizado. O que se requer de uma pessoa alfabetizada hoje em dia é bem diferente do que em meados do século 20. Não é mais suficiente saber assinar o nome e conseguir ler instruções simples, como era na época da Segunda Guerra Mundial. Do ponto de vista dos usos sociais da escrita no mundo contemporâneo, temos uma complexidade cada vez maior. As circunstâncias de uso de leitura se tornaram muito frequentes e variadas. O que não mudou é o tipo de esforço cognitivo exigido por esse sistema de marcas que a sociedade apresenta em espaços muito variados e a instituição escolar é obrigada a transmitir. O problema da relação entre essas marcas escritas e a língua oral continua sendo um mistério total nos primeiros momentos da alfabetização.

E quanto ao ensino?
EMILIA Uma mudança positiva é que já não se consideram as produções das crianças de 4 ou 5 anos como tentativas erradas ou rabiscos, a exemplo do que se dizia antigamente, mas sim como uma espécie de escrita. Parece-me que agora há uma atitude positiva, como sempre houve em relação aos primeiros desenhos. Outro avanço tem a ver com não se assustar quando crianças pequenas querem escrever. Antes elas eram desestimuladas porque se achava que não "estavam na idade". Também se reconhece a importância de ler em voz alta para elas desde muito cedo. Já se sabe que existe uma diferença grande entre ler e contar uma história. Há um pequeno avanço - não tanto quanto deveria haver - na prática de ler textos distintos e na valorização da biblioteca de sala de aula. A simples atividade de ordenar os livros com as crianças, usando critérios múltiplos, já as aproxima muito da leitura e enriquece a escrita.

As coisas estão melhorando, então?
EMILIA Evidentemente estou dando uma visão muito positiva. Sei que há um grande número de professores tradicionais que não mudaram nada e continuam usando cartilhas dos anos 1920 e 1930. A instituição escolar é muito conservadora, muda com dificuldade. O importante é ter consciência de que ela não está definida para sempre. O que ocorre fora a afeta e ela não pode fechar os olhos. Este é um momento interessante pelo avanço tecnológico, que põe a escola um pouco em crise. Existem coisas que poderiam ter constituído avanço, porém foram muito mal compreendidas, como acreditar que os níveis de conceitualização da leitura pela criança mudam por si mesmas e que não é preciso ensinar, apenas deixar que ela construa seu conhecimento sozinha.

As novas tecnologias trouxeram mudanças importantes?
EMILIA Sim, se aceitarmos que o conceito de alfabetização não é fixo, mas uma construção histórica que muda conforme se alteram as exigências sociais e as tecnologias de produção de texto. Os novos meios entram não somente na vida profissional, mas no cotidiano pessoal. Permitem ler e produzir textos e também fazê-los circular de maneira absolutamente inédita. No ano passado a Western Union, empresa que tinha o monopólio dos telegramas nos Estados Unidos, anunciou em sua página da internet que estava extinguindo esse serviço. Os telegramas tiveram muita importância no século 20, anunciando contratações, demissões, nascimentos e mortes - agora simplesmente não existem mais. Vemos então a desaparição de certos gêneros e a aparição de outros. O texto de email, por exemplo, não tem regras definidas. Não é como uma carta formal: podemos dizer se ela está bem escrita ou não, porque há um paradigma claro para isso. Quanto ao correio eletrônico, não. Algumas pessoas começam tradicionalmente, escrevendo "querido fulano", dois pontos, e continuam abaixo. Como se fosse uma carta formal. Muitos começam com "olá" ou mesmo sem nenhuma introdução - vai-se diretamente para o texto da mensagem. Tampouco se sabe como terminar. Alguns põem o nome; outros não, porque já está escrito no cabeçalho. É uma espécie de escrita selvagem. Não está normatizada e se prolifera. É difícil dizer se acabará constituindo um estilo.

O que significa, então, estar alfabetizado hoje?
Emilia Ferreiro: É poder transitar com eficiência e sem temor numa intrincada trama de práticas sociais ligadas à escrita. Ou seja, trata-se de produzir textos nos suportes que a cultura define como adequados para as diferentes práticas, interpretar textos de variados graus de dificuldade em virtude de propósitos igualmente variados, buscar e obter diversos tipos de dados em papel ou tela e também, não se pode esquecer, apreciar a beleza e a inteligência de um certo modo de composição, de um certo ordenamento peculiar das palavras que encerra a beleza da obra literária. Se algo parecido com isso é estar alfabetizado hoje em dia, fica claro por que tem sido tão difícil. Não é uma tarefa para se cumprir em um ano, mas ao longo da escolaridade. Quanto mais cedo começar, melhor.

E possível dizer quando termina?
EMILIA Difícil... Eu tenho duas classes de pós-graduação e continuo alfabetizando meus alunos, porque é a primeira vez que enfrentam um certo tipo de texto que apenas a literatura especializada produz e é difícil de ler. Além disso, eles têm de escrever um objeto denominado tese, que também não é fácil de escrever, primeiro porque é algo que se produz apenas uma ou duas vezes na vida e nunca mais; segundo porque é uma combinação de texto descritivo e argumentativo, com características próprias. Ler fazendo uma pesquisa na internet é um modo particular de ler, tirando informações e tomando decisões rapidamente. Os tempos de utilização da internet podem ser prolongados, mas o mais comum é que se faça um uso ágil. Não é o mesmo que entrar numa biblioteca. A quantidade de erros de ortografia que se registram nos emails é enorme. Isso porque a utilização é muito rápida e não costuma exigir correção. Escreve-se e manda-se. Se for necessário dizer mais alguma coisa, manda-se outro.

No Brasil, os adolescentes criaram todo um código para se comunicar pela internet.
EMILIA Isso acontece em toda parte; é um fenômeno muito generalizado. Uma vez mais, não sabemos se é uma tendência importante ou se passará sem deixar marcas. O certo é que eles estão fazendo com a escrita um jogo muito divertido. É uma transgressão, mas para isso é preciso conhecer alguma coisa da escrita. Porque afinal alguém tem que receber essa mensagem e ler, ou seja, é preciso dar pistas para ser entendido. Um dado curioso é que o uso generalizado da letra K nesse tipo de mensagem parece quase obrigatório. Acontece também em espanhol, no qual o K é tão raro quanto em português. E também é um recurso das crianças nas fases iniciais da alfabetização. A letra K sempre tem o mesmo som, enquanto a letra C não é confiável, tem muitos sons diferentes. Então as crianças ficam mais seguras usando o K.

O e-mail incentiva a prática da escrita?
EMILIA Acho que sim. Talvez não se leiam tantos livros atualmente, mas há mais ocasiões de praticar a leitura e a escrita do que antes. Quando são feitas pesquisas acerca do comportamento leitor de uma população, a pergunta inevitável é: "Quantos livros leu no último ano?" Os resultados na América Latina costumam ser lamentáveis, mas não se pode tirar imediatamente a conclusão de que, no geral, se lê menos. Certamente a leitura de um livro e do resultado de uma partida de futebol numa página da web não são equivalentes em termos de esforço leitor; são práticas muito diferentes.

Isso pode levar a um maior interesse pela leitura em geral, que acabe se refletindo na leitura de livros?
EMILIA Talvez, mas seguramente não há uma relação de causa e efeito. Na medida em que alguém pratica mais, torna-se mais competente e quem sabe possa atrever-se a outros gêneros, suportes e obras frente aos quais antes tinha uma atitude de rechaço ou temor. O que é importante distinguir é que sob o verbo ler estamos agrupando muitos tipos de leitura e o mesmo vale para o verbo escrever. Pelo lado de quem lê ou escreve, há diversidade de propósitos, de circunstâncias, de tempo de organização. E pelo lado daquilo que se lê e se escreve - ou seja, os gêneros - também há diversidade e deve-se incluir agora os emails, os chats etc. Por isso é tão ambíguo o discurso sobre a introdução das tecnologias no âmbito escolar. O professor não sabe bem o que fazer com ele. Então inventou-se a sala de informática, freqüentada apenas em horários determinados. É uma maneira de não incluir o computador na atividade cotidiana. A introdução dos computadores na escola é mais uma manobra econômica do que uma necessidade pedagógica sentida como tal.

Muitas escolas têm computadores não conectados à internet. Costuma-se dizer que não servem para nada.
EMILIA Ao contrário, são muito úteis. A escola sempre trabalhou mal a revisão de texto e os alunos sempre odiaram fazê-la, porque num texto à mão as correções deixam um aspecto horrível. E é preciso passar a limpo, voltar a escrever tudo. Com um processador de texto, a revisão se torna um jogo: experimentamos suprimir trechos ou mudá-los de lugar, com a possibilidade de desfazer se não ficar bom. Depois de muitíssimas intervenções, o que temos na tela é um texto limpo, pronto para ser impresso. A revisão é fundamental para
que as crianças assumam a responsabilidade pela correção e clareza do que escrevem. E com o processador de texto elas podem trabalhar também com uma coisa que nunca trabalharam, o formato: largura das linhas, mudanças tipográficas, sublinhamento, manipulação do tamanho das letras etc.

Os computadores podem ser mais um estímulo para a alfabetização?
EMILIA Nos lugares em que as crianças têm computadores em casa, o fato de haver na escola não fascina muito, embora elas possam descobrir novos usos ao trabalhar em grupos na sala de aula. Mas nas camadas mais desfavorecidas da população os computadores possuem mais atrativos, porque todos sabem que é um objeto muito valorizado socialmente e tem múltiplos usos possíveis. O problema é que os computadores necessitam de suporte técnico e, quando são instalados na escola, ninguém se lembra disso. Portanto, muitas vezes as máquinas estão lá, só que inutilizadas.

Fonte: Revista Nova Escola (digital) -  http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/alfabetizacao-inicial/momento-atual-423395.shtml
Por: Márcio Ferrari (novaescola@atleitor.com.br)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Perecer existir


Vagueio entre o amor romântico e a realidade; entre a idealização e o que realmente há. E creio que, assim como vagueio, sinto.

Há dias que quero lar, família, cachorro, jardim; noutros, porém, sinto um sufocar da alma e penso estar imersa em uma rotina cíclica: começo, meio e fim.

Viver nessa dicotomia parece ser minha sina; medo, talvez, das coisas que possam – verdadeiramente – se perpetuar. Nômade de pensamentos, não sei passar por adaptações.
Será possível que eu vá, novamente, mudar? É possível querer o mundo e a paz ao mesmo tempo?

Por vezes penso ser cansaço. Apenas isso. É como uma breve desistência: não quero brigar, não quero falar, não quero ouvir... Porque, logo depois, sinto como se eu pudesse a tudo resolver e decidir. Do chão ao céu, não consigo permanecer equilibrada. Não por muito tempo.

Talvez agora eu esteja entendendo que a vida exige que façamos escolhas que nada têm a ver com trabalho, estudos e carreira; mas sim entre existir ou parecer.

Nenhuma das opções é fácil; melhor. Para existir é preciso matar padrões impostos, costumes que não agradam, vícios de existência. Parecer, entretanto, quer de nós que sejamos o padrão estipulado. Para a mulher, em dias de hoje, ainda mais pesado.

Impossível, para mim, escolher um apenas. Prefiro parecer que existo ou, caso queiram, existir aparentemente. Desde que sempre – no momento – com sinceridade.

João Bobo de cara amarrada.


Tem dias que eu não tenho paciência. E nem por isso me sinto ‘menos gente’. Não aguento quem ri o dia inteiro. Parece viver em um circo, sendo ele, é claro, o palhaço principal.

Isso não faz de mim uma pessoa com uma visão pessimista da vida. Não. Isso não. Minha visão é apenas 'no lugar'. Aliás, depois que me acostumei a isso, percebi que, assim como o alto entusiasmo, a alta revolta já não está freqüente.

Comecei, há algum tempo, a analisar alguns casos mais friamente; poupar-me de planos mirabolantes ou previsões de desgraças iminentes. Isso, como eu disse, apenas em alguns casos...

Se o mundo vai acabar? Talvez; um dia. E isso não vai depender de minha habilidade para ignorar ou da do palhaço de ficar – tal qual um ‘João bobo’ – a rir e esperar o próximo tapa.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Intelectualização excludente?

E ontem encerrou-se mais uma edição da Feira do Livro de Porto Alegre. 
Visitei o evento na primeira semana; passei por algumas bancas, visitei o MARGS e o Memorial. Confesso que pela primeira vez não dei muita atenção ao livros - não que tenha deixado de gostar deles - mas havia uma motivação mais especial: a parceria que me acompanhava. 
Demos atenção especial às bancas dos livros internacionais, tomamos um delicioso café e ainda aproveitamos para 'apreciar' as obras da Bienal. Depois que comecei a ler mais a respeito de Inclusão, fiquei pensativa quanto às obras presentes na Bienal. 
Se eu pensar em artes visuais, as exposições presentes no Memorial são inúteis para o público cego se não houver algum recurso de audio a elas atrelado. 
Em outros casos, havendo somente recursos de áudio, como poderia um surdo tecer alguma opinião a respeito do que estava vendo - lembrando que nem todos os vídeos contavam com legendas e intérpretes de Libras por lá eu não vi. 
Fiquei pensando até que ponto a intelectualidade não se torna excludente. 

***


Chegou ao fim mais uma Feira do Livro de Poro Alegre. O tradicional cortejo e as lágrimas da patrona Jane Tutikian marcaram o encerramento da 57ª edição do evento, que teve início em 28 de outubro e terminou às 21h desta terça-feira.

Às 20h30, dois gaiteiros, um violonista e o xerife Júlio La Porta deram início ao cortejo, que partiu do Cais do Porto, passou pela avenida Siqueira Campos e chegou à Praça da Alfândega, entregando 1,5 mil rosas às mulheres presentes na praça.

Após os 19 dias em que esteve constantemente na feira, a patrona Jane Tutikian emocionou-se durante a entrega das flores.

A Feira de 2011 também fica marcada pela Praça da Alfândega restaurada - e pelo consequente aumento nas vendas, que na sexta-feira passada já superavam em 3% os números de 2010, segundo dados da Câmara Rio-Grandense do Livro.