quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Semideuses digitais: do bom senso ao nonsense.


São tantos os episódios bizarros sendo noticiados que começo a ficar em dúvida: ou a qualidade dos jornais está cada vez menor ou o ser humano está cada vez pior. Não sou jornalista – e os amigos desta área que me perdoem – mas parece que tudo começa lá, toma ares de relevância pelo número de compartilhamentos (curtidas e afins) e, depois, vira notícia. Seria apenas curioso, se não fosse um perigo gigantesco.  Já não dos damos conta da nossa responsabilidade como ‘consumidores e propagadores de ideias’ e me  arrisco tentar entender a razão disso.

Bairrista como todo gaúcho é (e antes que sentem o relho: eu sou gaúcha), vou usar um exemplo bem daqui: o da guria gremista que, ao gritar uma palavra infeliz – e ser amplamente divulgada em TODAS AS REDES SOCIAIS POSSÍVEIS – teve a vida quase arruinada (Há outras coisas em destaque, eu sei. Mas no momento esse exemplo serve pra contextualizar). “- Notícia velha!” Esbraveja você ai do outro lado da tela, já procurando outro link mais interessante... É ai onde quero chegar.

Com a desculpa de estarmos sempre conectados, de estarmos disponíveis virtualmente em todo e qualquer lugar, quase deuses, já que somos oniscientes e onipresentes, esquecemos que ainda não somos hologramas. Que nossas opiniões e atitudes podem mudar o rumo de muitos ‘mal entendidos’; que sempre há mais de um ponto de vista – e isso anula a possibilidade de uma verdade absoluta – e que uma notícia mal dada ou uma veiculação mal feita também podem ser atos criminosos. Na nossa empáfia de ‘detentores do poder do dispositivo móvel’ disparamos, todos os dias, quase o tempo todo, ideias que nem sempre representam o que pensamos, mas aquilo que gostaríamos que pensassem de nós.

Sim. Isso mesmo: nossos perfis nas redes sociais estão dando errado...  No início, cada um queria ser único; ser ‘O’ diferente. Com o passar do tempo, surgiu o medo de não ser aceito, de não ser ‘curtido’ de não ser ‘o ideal’, de não ter 5490 amigos. Começou o medo da rejeição... o medo de lidar com as frustrações mais básicas, como a de dar ao outro o direito de pensar diferente. Afinal de contas, se eu pensar diferente posso desagradar alguns... e desagradar não é uma opção para um semideus digital. Quer ver um exemplo?  Por que o close na menina gritando? Você se perguntou isso?  Eu me fiz essa pergunta. E sabe a que conclusão cheguei? Bem simples: porque ela é mulher. Oh! Sim! Ela é mulher! E se você já assistiu a algum jogo de futebol, deve ter percebido que é comum darem ênfase a uma mulher quando a consideram atraente o suficiente para tal (e, só para incomodar: isso não é violência?).  A atitude dela foi infeliz, mas o rebote não nos tornou melhores e nem diminuiu o racismo. Digo mais: alguém questionou a responsabilidade de quem veiculou as imagens em relação ao risco que essa guria corre desde então? Não, não é mesmo? Posso estar completamente enganada, mas é a minha opinião. E é isso que não tem preço, porque por ser diferente de outras, ela pode fazer alguém ponderar antes de criticar e/ou piorar uma situação.

Narciso
Estamos abrindo mão de refletir sobre aquilo que nos serve e nos representa para olharmos um reflexo daquilo que gostaríamos que ou outros vissem em nós.  Como Narciso, nos apaixonamos por um perfil idealizado de nós mesmos e estamos abrindo mão das nossas opiniões porque não queremos ser rejeitados. Os semideuses digitais não sabem não ser amados e idolatrados. E não é só isso. Como somos ‘perfeitos’, estamos nos tornado mestres em moral de cuecas, em apontar ao invés de olhar para dentro, em dar ênfase ao lado ruim de alguém, no lugar de tentar achar o lado bom. Estamos esquecendo a cada dia que não somos perfeitos. NINGUÉM É! E estamos nos tornando tão eficazes nisso que criamos sistemas que retroalimentam nosso ódio e o nosso ego.  Ai você para e diz: “- Não! Estamos evoluindo! Criamos leis contra a violência, leis a favor das minorias, leis que garantem direitos iguais!” Ah, sim. É verdade. Mas e a lei maior? Aquela que diz que devemos fazer ao outro o que gostaríamos que fizessem conosco?


Graças ao mau uso das redes sociais (o uso que nós fazemos e o uso que os demais meios de comunicação fazem dela) nossa vida está cheia de não racistas que olham atravessado para o colega negro; de não homofóbicos – desde que seus filhos não sejam gays; de feministas que condenam a divisão das contas em casa – afinal casaram bem(na leitura delas, obviamente) para não ter que pagar as contas.  Não nos faltam leis, não nos falta tecnologia, não nos falta liberdade. Nos falta bom senso.  Me desculpem, mas não consigo aceitar que com julgamentos sumários, notícias pela metade e uma TOTAL falta de interesse  e respeito pelo outro sejamos justos o suficiente para criar e, principalmente, CUMPRIR leis que garantam o fim do racismo, da homofobia, da violência doméstica  e tantos outros fantasmas sociais que rondam o nosso Olimpo do Séc. XXI.  Me parece, não sei se você concorda comigo, que aquela célebre, clássica, histórica, icônica  (ponha na sequencia o que mais desejar) frase que todo mundo aqui já ouviu: “- Conhece-te a ti mesmo” precisa ser revisitada com urgência. 

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Daquilo que não controlamos

A gente sabe que ninguém "fica pra semente", como diria meu avô. A gente sabe que, normalmente, eles se vão antes de nós. Infelizmente. Essa é que é a verdade... esse é o ponto. Hoje meu avô completaria 82 anos...

Faltou pouquinho, meu velho. Mas te chamaram antes. De qualquer modo, esse dia vai sempre ser o TEU dia por aqui. Nós ficamos... assim... meio perdidos. Meio sem saber como ficam as coisas. Tentando colocar tudo no lugar.  O que nos consola é que sabemos que estás melhor por ai. Mais perto de nós do que a distância física anterior permitia. Estás bem longe do nosso 'frio nojento', que tantos e tantos invernos te incomodou. As pernas não mais te limitam, porque nada do que é desse mundo aqui interessa a quem já dele se libertou.

Feliz aniversário. E MUITO obrigada por tudo.


domingo, 17 de agosto de 2014

É quando leio coisas assim...

... que tudo passa a fazer sentido.

A folha em branco já tem alguns rabiscos... uma pequena lista, na verdade, que me impulsiona a pensar, cada vez mais, nas escolhas que tenho feito - e que continuarei a fazer. Essa semana li em uma Bons Fluidos, revista de que gosto muito, uma matéria sobre a relação trabalho X vida: alegria ou frustração. Gostei demais e compartilho um trechinho bem legal.

"Nossa cultura supervaloriza o parecer ser feliz. Mas, verdade seja dita, nenhum trabalho trará somente contentamento." [...] " O percurso de qualquer lida, até as mais glamourosas, invariavelmente, inclui dissabores. Claro, quando os dissabores superam os momentos de realização, algo pode estar errado. Mas o que costuma acontecer é que esquecemos algumas bases importantes que toda ocupação precisa contemplar. [...] são elas: se sentir capaz; nutrir senso de importância, impactar positivamente a vida dos outros, ser reconhecido e cerca-se de relacionamentos sadios" (Fonte: Revista Bons Fluidos. Agosto de 2014. Trabalho)

Além destas bases, a autora retoma uma situação que há muito venho observando: a quantidade de pessoas que estãp mudando completamente suas vidas em função da busca de uma ocupação que satisfaça - se não todas - grande parte dos itens elencados. E no meio desse povo todo, eu!




quarta-feira, 30 de julho de 2014

Alguma coisa está fora de ordem...

Mas nem sempre a bagunçar é algo ruim. As melhores reformas geram uma baderna tremenda... e acho que devo estar prestes a iniciar uma.Nada mal, penso eu, depois dos impactos dos últimos meses.

Deve ser coisa de depois dos 30. Uns se exigem mais; outros, menos.  Uns seguem um caminho; outros desviam a rota. Há outros ainda que ficam com uma folha em branco na mente, traçando rotas imaginárias,  buscando o melhor a fazer.  Eu, por exemplo.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Catalogar

Com licença!  Vou chegando devagarinho... tirando o pó destas letras... as teias de aranha dos links, abrindo as janelas de ideias para circular um ar renovado. (re)Abro esse espaço com uma palavra que tem martelado meus pensamentos nos últimos dias: catalogar. Mais adiante explico o por quê. 

http://www.priberam.pt/DLPO/catalogar

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Luto

Hoje é uma triste sexta-feira de fevereiro. Muito triste, aliás.

Nosso plano material perdeu uma pessoa iluminada. Nico Nicolaiewsky, após semanas internado, faleceu. Não preciso dizer muito  sobre, pois todos sabem quem ele era (e será para sempre nos nossos corações e na nossa memória).

De todas as notícias sobre morte de artistas dos últimos tempos esta foi a que realmente me entristeceu.
Cresci ouvindo as histórias de seu personagem, Maestro Pletskaya na Peça Tangos e Tragédias. Ouvia o LP (sim, o LP! São sabe o que é? Vai procurar, fedelho(a)! :-p ) e, muito tempo depois, tive a oportunidade de assisti-lo no palco. Fantástico.

Se posso pensar em algo bom é que ele faz parte da minha história, não só pelo fato de pertencer às lembranças da minha infância, mas também porque foi graças a um espetáculo deles que eu e meu noivo começamos a namorar... Coisas da vida. Coisas muito boas da vida.

Que ele continue a arrancar inúmeros sorrisos lá no plano espiritual. Aqui ele fará MUITA falta.

Tangos-e-Tragédias


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Dez anos!?




Há 10 anos está música indicava que era a minha vez de confirmar a colação de grau...


Há dez anos, eu e as pessoas mais queridas com as quais convivi naquele período de formação começávamos a trilhar caminhos diversos. Tenho certeza, entretanto, de que  esses caminhos sempre tiveram espaço para as boas lembranças!

Disciplinas, professores, número de créditos, trabalhos de última hora, trabalhos em grupo... TCC... Jane Rita, Ana Ibaños, Maria Tasca, Maria Tereza Amodeu, Vera Pereira, Marisa Smith, Volnyr Santos... Linguística ou Teoria da Literatura? Bolsa IC? Estágio? Planejamento...

Passamos por tudo isso e mais um bocado. E depois disso  e mais tantas e tantas coisas, chegou a nossa hora de dizer um ‘até breve’ para a PUCRS!


Dez anos, meus queridos! Cada um de nós, a sua maneira, construiu e reconstruiu vidas e destinos. Parabéns para nós e que sempre tenhamos na memória as melhores lembranças uns dos outros! Até porque, foram os primeiros 10 anos... dos muitos e muitos mais que vivenciaremos! :)

Saudade!