terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Analogicamente

Há algum tempo resolvi que traria o convívio presencial de volta a minha vida. A ideia ficou mais forte depois de algumas perdas pelo caminho. Inevitáveis, sofridas, inesquecíveis. Através delas vi que há muito ai fora para explorar e entender. A partir delas alguns conceitos vêm mudando para mim. E foi por isso que, em meio à avalanche de todas as redes sociais digitais, resolvi voltar a  usar o bom e velho sistema dos Correios e me surpreendi. 

Essa ideia já vinha sendo incubada há um tempo, mas ainda não tinha tido a oportunidade de pôr em prática. Quando isso foi possível, procurei -  em um dos  novíssimos catálogos de pessoas -   aqueles  amigos  que teceram  alguma parte da minha história e pedi os endereços das residências. Uns, prontamente me enviaram; outros, sequer responderam. Com a atitude desses últimos, inicialmente, fiquei chateada;  entendi depois: hoje em dia é possível mostrar tudo a qualquer um, desde que não se ultrapasse a barreira do virtual. Me senti fora da  Matrix!


Baixas à parte e resumindo a ópera, consegui contato com gente muito querida, e, melhor do que isso: consegui me reunir com amigos que há anos - ANOS - não parava para VER e CONVERSAR. E foi tão bom! As horas passaram voando e a sensação foi muito melhor do que a de postar uma foto e compartilhar.  

Apesar daquela velha máxima de Homer Simpson: "- a culpa é minha e ponho em quem quiser", não vou dizer que a tecnologia afastou as pessoas. Mas digo que as pessoas usaram a tecnologia para se afastar umas das outras. E falo isso olhando aqui, ó: pro meu quintal. 

Se você tiver menos de 25 anos já ouviu falar que houve uma época em que os telefones só serviam para ligações. Nada de e-mails, alarmes, mensagens, fotos, músicas... Acesso a Twitter, Facebook e afins então, nem pensar! Com isso, aqueles que tinham o hábito ligar para amigos e familiares, às vezes davam notícias por cartas, mandavam cartões de aniversário e até presentes... pelo correio!  Como isso era o comum, a propagação dos e-mails e, depois, de telefones com outros recursos foi ofuscando o charme de um envelope colorido, dos  selos diferentes e do "perder tempo" parando para encontrar alguém que estaria a um 'clique' de distância... a um joinha do "- E ai, como você está?"  


Eu nunca havia parado para prestar a atenção nisso, mas, hoje, sinto que o desapego às pessoas e  a alguns costumes saudáveis veio na proporção direta do desapego a esses pequenos detalhes. É claro que não vou mandar pelo correio um convite para um jantar ou happy hour com amigos, mas penso que, nesses encontros,  os telefones  e as redes sociais não deveriam ser os protagonistas. 

No meu caso, só foi preciso deixar um comentário em uma foto - como algo do tipo "#saudade" para combinar. Depois, alguns alinhamentos de datas e horários et voilá! Curtir o abraço apertado, o olho no olho e a conversa animada, alinhando todos os pontos  que ficaram perdidos entre bits e bytes.  Não. Eu não estou decretando o encerramento do uso das redes sociais. Não quero e não posso fazer isso. Mas às vezes é importante mostrar a essas ferramentas todas quem é que manda! ;) 

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