terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

E eis que ele chegou...


"Carnaval, carnaval, carnaval
Fico tão triste quando chega o carnaval[...]"
Luiz Melodia - Quando o Carnaval chegou

Como diria um amigo meu, é sempre bom reafirmar o óbvio. Então tá: eu odeio o nosso carnaval.  Me julgue. Não tem problema. Afinal, acredito que eu ainda tenha o direito de não gostar do que as outras pessoas gostam (é que anda difícil, né? Hoje em dia todo mundo tem que ser feliz, todo mundo tem que concordar, todo mundo tem que ser legal, todo mundo tem que estar sempre pronto e de bom humor... ai não dá!). Não sei se esta divisão efetivamente existe, mas eu entendo que há três movimentos no carnaval: o dos clubes, o dos sambódromos e o de rua. É o de rua que, particularmente, me incomoda.

A festa não é o pior. O pior são as pessoas que fazem dela um momento desagradável. Não gosto de falta de educação, não gosto de tumulto, não gosto de gritaria e, principalmente, não gosto de rir do que não tem graça. E, para mim, não tem graça! E não me olhe assim! Sério! 40 graus e o sujeito pulando o dia todo, suando,  tomando cerveja quente - na melhor das hipóteses - sujando a rua (porque ele não sabe segurar uma latinha ou a própria urina  até o lixo ou banheiro mais próximo), atravancando a passagem de pedestres, ciclistas, motoristas como se não houvesse amanhã! Depois, quando o 'horário oficial' da 'folia' encerra, eles seguem, em sua maioria bêbados - de novo, na melhor das hipóteses - , barulhentos, inconvenientes até acharem o rumo de casa.  Sei que existe toda a discussão da manifestação cultural, mas assumir como cultural a falta de educação e o abuso de liberdade... me desculpe... eu não aceito.

"- Ah, mas o Brasil é o país do carnaval".

Não, meu caro. Não é. Não no sentido de ser originário e/ou exclusivo daqui. O carnaval começou na antiguidade e está relacionado, principalmente, à inversão de papéis por um determinado período (aqui você encontra de forma detalhada como e por que isso acontecia) e daí vem, provavelmente, a utilização de fantasias.  De lá para cá, muitas coisas foram mudando. 

No Brasil, festejos relacionados ao carnaval só surgiram no período colonial e, a meu ver, vem aumentando sua relação com a origem greco-romana a cada ano: menos roupa, mais bebida, mais campanha de uso de camisinha... É um período para Dionísio nenhum botar defeito, como se  fosse necessário deixar à mostra o pior do ser humano: o mais vulgar, o mais selvagem. Pode ser que, no passado, tenha sido diferente. Pode ser que na sua cidade, seja diferente. Mas por aqui não é. 

Talvez eu gostasse do nosso carnaval de rua se nele houvesse encantamento, beleza, musicalidade... Não, pera ai... esse ai só em Veneza. É. Eu fico triste quando chega o carnaval. 


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