segunda-feira, 30 de março de 2015

Nada tanto assim...


Segundo a Wikipedia, hoje Vincent van Gogh completaria 162 anos. Toma, Van Gogh! Eu só tenho 34! E por falar nessa data 'querida'...



Só tenho tempo pras manchetes no metrô
E o que acontece na novela
Alguém me conta no corredor

Escolho os filmes que eu não vejo no elevador
Pelas estrelas que eu encontro
Na crítica do leitor

Eu tenho pressa
E tanta coisa me interessa
Mas nada tanto assim

Eu tenho pressa
E tanta coisa me interessa
Mas nada tanto assim

Só me concentro em apostilas
Coisa tão normal
Leio os roteiros de viagem
Enquanto rola o comercial

Conheço quase o mundo inteiro
por cartão postal
Eu sei de quase tudo um pouco
e quase tudo mal

Eu tenho pressa
E tanta coisa me interessa
Mas nada tanto assim

Eu tenho pressa
E tanta coisa me interessa
Mas nada tanto assim...
Eu tenho pressa
E tanta coisa me interessa
Mas nada tanto assim...

Link: http://www.vagalume.com.br/kid-abelha/nada-tanto-assim.html#ixzz3VrtB1ee6

quarta-feira, 25 de março de 2015

Livros 2015 - O livro dos sonhos


Livro - L&PM Pocket - O Livro dos Sonhos - Jack Kerouac

Jack Kerouack – e me pergunto por que comecei pelo livro mais difícil dele!


E dando sequencia às leituras deste ano (escrevi sobre isso aqui), chegou a hora de falar do livro mais difícil da minha lista de ‘lidos’ até então: O livro dos sonhos. Para o autor – ninguém menos do que o sujeito com a alcunha de ‘pai da geração beat’ – foi um trabalho facílimo de fazer. Pode ser... Afinal o autor e sua obra se dão melhor do que qualquer intermediário! Mas para um leitor desavisado... 

O autor

A L&PM, editora do volume que li, tem uma referência bem interessante sobre Jack K, bem pontual e que já nos dá uma boa ideia do perfil do autor! Vale a pena conferir: Jack Kerouac – Vida e Obra. Mais informações sobre ele você pode encontrar aqui (em inglês).

A história
Trata-se, na verdade, de um compilado de histórias, resultantes dos registros dos sonhos do autor. Isso ele mesmo explica quando descreve um pouco do seu processo criativo:

 “[...] quando acordava, depois de horas de sono, ficava simplesmente deitado, ‘vendo’ os quadros que se desfaziam aos poucos, como fins de cena de um filme, para se refugiarem nos recessos do meu subconsciente. (...) Assim, logo levantava da cama, com os ossos moídos e os olhos inchados, para rabiscá-los rapidamente à lápis na agenda, até esgotar todos os detalhes possíveis – escrevendo sem parar, de modo que o subconsciente pudesse manifestar a sua própria linguagem, isto é, de forma ininterrupta, fluente e agitada”. Jack Kerouac  - L&PM POKET

Veja agora o resultado desse processo:



 Frutos de um narrador onisciente (e onipresente), as histórias não se apresentam em capítulos ou ordem cronológica. São pequenas narrativas que, em alguns momentos se relacionam e, em outros, são completamente desconexas. Sabe-se que é um novo ‘sonho’ pela demarcação da primeira linha em letras maiúsculas.
Esse compilado de sonhos – sejam eles oriundos de sono ou de abuso de álcool e benzina – reapresenta personagens de outras obras, como On theRoad e Os subterrâneos e Os vagabundos iluminados. Amigos reais também são citados em meio à turbulenta criatividade do autor. Mas não se chega desavisado a isso: na introdução, Jack se dirige ao leitor em primeira pessoa, apresentando como todas as páginas foram concebidas e indicando quem são os personagens da obra.

Introdução, com indicação de leitura das personagens.


Curiosidades:

O estilo de escrita - Fluxo de consciência (sobre o que se entende por Fluxo de consciência na Literatura)
A geração beat - O que foi isso (explicação sucinta e descolada da Revista Mundo Estranho)

sexta-feira, 13 de março de 2015

Segunda sexta-feira 13 do ano!

segunda-feira, 2 de março de 2015

Livros 2015 - A viagem de cem passos



E eis o segundo livro do desafio! O primeiro do Jornalista / Editor / Correspondente Internacional e... escritor (nas horas vagas #maldade) Richard C. Morais.



Morais, Richard C. A viagem de cem passos. Rio de Janeiro: Record, 2014.

Quando lemos algo que nos contagia é muito fácil falar a respeito... Mas e quando não? Pois é. Esse livro foi uma indicação de leitura.  E confesso que fiquei feliz quando terminei de ler  percebi, ao  desabafar sobre o que tinha achado dele, que a pessoa que me indicou concordava comigo na maioria dos aspectos. Ufa!

 O que salvou a obra para ela (e para mim) foi a construção de um imaginário universo da gastronomia. Ponto. É o que interessa no livro. Sobretudo quando se conhece pouco (ou nada) sobre o tema... Então, nesse quesito, o livro é bom: toda a gama de complexas criações, dramas, sacrifícios, trabalhos, premiações que - supostamente - fazem parte do mundo de quem vive de encantar paladares e criar sensações através de cores, sabores, aromas e harmonizações. Não. Não há receitas completas no livro (nem isso), mas o autor utiliza processos comuns da cozinha como metáforas - muito pobres, na minha opinião - para a vida.

 Apesar de todo apelo gastronômico, achei o livro insosso. Há um excesso de falso drama do início ao fim que só me fez lembrar uma mescla  do pior de "Quem quer ser Milionário" com "Comer, Rezar e Amar" e Ratatoulie.

O autor

Richard C. Morais foi, por muito tempo, Editor Sênior e correspondente internacional da Forbes, mas resolveu fazer algo que trouxesse mais comoção para sua vida e, consequentemente, à vida de outros. Sobre isso ele mesmo se explica:

"The 21st century started with a frightening bang and the more journalistic “analysis” I read or saw or heard, about the nature of our collective problems, the more befuddled I became. The changing nature of the media and its economic pressures were programming ever more superficial journalism. But sometimes, when reading a novel or watching a film, I found myself deeply moved, for these fictional works had cut clearly to the core of a matter and reached me in ways the talking heads on the tube never had."

Texto completo do autor  (em inglês) aqui

A história

Dividido em quatro momentos principais (Mumbai, Londres, Lumière e Paris), o autor apresenta a vida de Hassan Haji, um indiano que vê sua família se formar e de extinguir em torno do universo dos restaurantes. Como quem vê em flashs uma sequencia de imagens, o narrador protagonista apresenta cada um dos personagens e sua importância para a formação do seu amor pela culinária. Isso porque ele está - quase o tempo todo - falando em pratos típicos daqui e dali -  chegando a ser cansativo, dando vontade de pular meia dúzia de páginas só para termos alguma emoção.

Segundo o próprio Hassan, sua primeira memória é de - quando criança - estar no berço e sentir o cheiro da comida preparada na cozinha do restaurante paupérrimo com que seus pais começam a ganhar a vida. Não. O texto não convence no apelo dramático. Os personagens não tem um perfil bem traçado. Os momentos que deveriam ser os mais emocionantes são inconclusivos e, às vezes, temos a impressão de que o Richard não sabia mais o que fazer para terminar o livro. A personagem secundária - que a meu ver seria a estrela da história - Madame Mallory -  ganha vários capítulos e, depois de travar um embate gigantesco com o pai de Hassan, passa por uma 'conversão' tão fraca e tão curta que, céus, temos vontade de largar a obra e dar uma olhadinha nos classificados.

Curiosidades

Richard já está com seu segundo livro à venda por ai: Buddhaland Brooklyn.Clique no link e descubra um pouco mais sobre essa publicação.

O filme foi adaptado para o cinema e lançado em agosto 2014, concorrendo ao Globo de ouro deste ano, na categoria Melhor atriz - graças à  Helen Mirren - mas não levou.

Cartaz do filme:


Trailer da adaptação para cinema: 

Para saber mais:

Sobre o livro:  The 100 foot journey 

Sobre o filme:  The Hundred Foot Journey