terça-feira, 29 de setembro de 2015

Memórias da casa velha


Já não sei bem quanto tempo faz, mas há anos deixei uma terra que, até hoje, parece guardar um pedaço meu. Também pudera... Nela deixei meus primeiro passos, meus primeiros risos, meus primeiros romances - literários e platônicos... Minhas primeiras perdas.

Como se bastasse abrir uma cortina, vejo meu avô na oficina, tratando a madeira para o piso da 'casa nova' (aquela que nos faria dar as costas a um lar aconchegante, embora grande demais). Lembro de suas histórias e de suas ferramentas... Olho para o lado e vejo minha avó, cuidando da casa e dessa neta inquieta. Lembro dos almoços de domingo, das tardes de verão. Era tudo tão vivo, era tudo tão bom.

Cada lugar que habitamos guarda um pedaço de nós. E até hoje guardo o cheiro do orvalho da manhã de sol no inverno; os temporais de fevereiro... A lagoa e suas flores coloridas... O galpão e seus mistérios mil para uma criança curiosa, o campo e a paz da liberdade de por ele andar e a tentar entender a vida...

 Ah, a  casa...  Aquela casa... Lembro de todos os cômodos, de todas as janelas e de todas as horas em que, nelas, debulhei muitos livros. Como é dolorido saber que dessa minha amada casa restam apenas escombros e memórias. Que nela já não posso entrar e tentar buscar o pouco de mim que por lá ficou. Para sempre.

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